Introdução Alimentar

Como hoje, 19/02, a Alice completou 6 meses, iniciamos a introdução alimentar dela, que foi amamentada exclusivamente com leite materno até aqui.
Lendo sobre IA, conheci o método BLW e resolvi tentar e venho buscando informações sobre o assunto. Deixo aqui uma adaptação pra vocês entenderem um pouco do que se trata. Créditos aos profissionais que desenvolveram os textos que usei no fim da postagem.

O BLW ou Baby-led-weaning, nada mais é que a introdução alimentar guiada pelo bebê, ou seja, deixar que ele explore os alimentos, sinta a textura, o cheiro e o gosto dos alimentos.

A maioria dos bebês estão prontos para começar a introdução dos alimentos com 6 meses de idade, quando normalmente consegue sentar sozinho e segurar objetos com a mão, já não tem o reflexo de protrusão da língua (ficar com a língua pra fora) o que evita engasgos, e o intestino está preparado para receber novos alimentos. Bebês prematuros ou que tenham alguma condição especial de saúde ou atraso motor, que afetem a sua habilidade de engolir ou mastigar os alimentos, não se recomenda esse método. Vale ressaltar que é importante que os pais discutam com o pediatra sobre a introdução alimentar do seu filho e os métodos a serem utilizados.

Esta abordagem de introdução alimentar oferece ao bebê a oportunidade de descobrir o que os alimentos que não o leite materno ou leite de fórmula têm a oferecer, como parte do mundo que o cerca. Ela engloba na experiência da alimentação o desejo do bebê de experimentar, explorar e imitar, comum dessa fase! Permite ao bebê definir o tempo de cada refeição e dá ênfase à exploração, ao invés da alimentação em si, e torna a transição aos alimentos sólidos seja da forma mais natural possível. Isso porque a motivação dos bebês a fazerem essa transição é muito mais a curiosidade do que a fome em si!

As refeições não precisam coincidir exatamente com o horário em que as mamadas aconteciam anteriormente. O aleitamento materno pode ser mantido e os alimentos são introduzidos em conjunto. Isso permite que essa abordagem seja mais descontraída e agradável para todos.

O bebê pode engasgar?

Muitos pais se preocupam com o risco do bebê engasgar dessa forma. Embora esse método pareça arriscado, há mais motivos para pensarmos que o bebê tem menos risco de engasgar quando estão no controle do que quando são alimentados com a colher. Vamos pensar por etapas de aquisição das habilidades do bebê. Os bebês desenvolvem primeiro a habilidade de mastigar antes da habilidade de empurrar o alimento intencionalmente até a garganta. E antes de aprenderem a mastigar, eles desenvolvem primeiro a habilidade de alcançar e agarrar coisas. Mais tarde ainda, desenvolve-se a habilidade de pegar coisas muito pequenas. Ou seja, bebês pequenos não podem se colocar em risco facilmente, já que eles ainda não conseguem pegar pedaços pequenos de comida. Ao alimentarmos o bebê com a colher, podemos encorajá-lo a sugar o alimento diretamente para o fundo da boca, aumentando o risco de engasgo.

Dessa forma, percebemos que o desenvolvimento geral de um bebê está muito ligado à sua habilidade pegar objetos (os alimentos nesse caso, por isso os pedaços em forma de haste, compridos, de forma que ajude o bebê a pegá-los), levá-los à boca, mastigá-los e engoli-los. Um bebê que resiste muito a colocar comida na boca, provavelmente ainda não está completamente pronto para comê-la. Por isso, é importante resistir à vontade de “ajudar” o bebê nessas circunstâncias, já que seu próprio desenvolvimento e habilidades assegurarão que a transição aos sólidos seja feita no momento certo para ele, diminuindo assim, o risco de engasgos

O bebê que inicia a alimentação deve estar sempre sentado ou apoiado na cadeirinha na posição vertical. Isso garante que algum alimento que ele não seja capaz ou não queira engolir seja expelido pra fora (isso vai acontecer bastante).

É seguro?

Ao adotar o método baby-led-weaning, devemos manter as mesmas medidas de segurança adotados na hora da alimentação. Embora seja muito improvável que um bebê consiga pegar um amendoim, por exemplo, situações e acidentes podem acontecer em raras ocasiões, independente da forma como seja alimentado. Dessa forma, esse tipo de alimento deve ser deixado fora do alcance do bebê, assim como brinquedos com peças muito pequenas não podem ser dadas ao bebê, e existem brinquedos próprios para cada faixa etária. Lembre-se, as regras normais de segurança na hora de comer e brincar devem ser seguidas!

Alimentação saudável

Bebês que se alimentam sozinhos aceitam uma grande variedade de alimentos. Isso acontece, porque eles aproveitam muito mais do que apenas o sabor dos alimentos – eles experimentam as texturas, cores, tamanhos e formatos. Além disso, oferecer alimentos separadamente ou de um jeito que eles possam separá-los, permite que eles aprendam sobre os diferentes sabores e texturas. Ao permitir que eles deixem de comer qualquer coisa que eles pareçam não gostar irá prepará-los e encorajá-los a experimentar coisas novas. (Isso não significa que você não poderá oferecer o alimento rejeitado em outra ocasião, isso pode e deve acontecer!)

Fast-foods, comidas com açúcar ou sal adicionados devem ser evitadas (pra não dizer banidas!). Respeitando-se isso, assim que o seu bebê tiver mais de seis meses de idade, não é necessário (exceto caso haja histórico familiar ou pessoal de alergias ou qualquer suspeita alteração intestinal ou doença) restringir o cardápio oferecido. Frutas e vegetais são os ideais, sendo que os mais duros podem ser levemente cozidos, para que fiquem macios o suficiente para serem mastigados. No começo, é melhor oferecer a carne em pedaços grandes, para que possa ser explorada e chupada (provavelmente no início é só isso que o bebê vai fazer…). Quando o bebê começar a lidar bem com porções de comida, e conseguir pegar objetos menores, a carne picada funcionará bem. (Bebês não precisam de dentes para morder e mastigar – as gengivas fazem o papel, pois pela proximidade dos dentes, já estão mais endurecidas e com capacidade de mastigar). A sua habilidade em pegar e mastigar esses alimentos, bem como a sua aceitação é o parâmetro para mostrar sua capacidade em comê-los!

Não há necessidade de cortar a comida do tamanho da boca do bebê. Um bom parâmetro é cortar tudo de tamanhos e formas semelhantes ao punho do bebê, com um detalhe importante: bebês pequenos não conseguem muito bem abrir a mão com o propósito de soltar as coisas. Portanto, eles lidam melhor comcomidas cortadas em palitos ou que tenham uma haste ou “pegador” (como o caule de um pedaço de brócolis ou couve flor, por exemplo). Assim eles podem mastigar os pedaços que estão fora da sua mão e então soltar o resto depois – normalmente quando se interessarem por outro pedaço. Assim que suas habilidades forem aumentando, menos comida será desperdiçada.

Nunca force a barra para que seu bebê coma mais! Confie nos instintos dele, para que não se percam para sempre.
O bebê nasce com uma ótima auto regulação da ingestão de energia.
Alimentos mais calóricos são consumidos em menor quantidade. Alimentos menos calóricos (aqueles com muita água) serão consumidos em maior quantidade e distenderão mais o estômago.

Então evite alimentos aguados!!! (Sopas e sucos entram aí)
Confie no seu bebê. Respeite sua saciedade. Entenda o momento de aprendizado da alimentação e a valorize como algo que repercutirá pra sempre na vida dele.

Como fazer com as bebidas?

A composição do leite materno varia de acordo com a duração da mamada. O leite do início da mamada, o anterior, é rico em água e o leite posterior, do final da mamada, tem mais gordura. Um bebê amamentado no peito reconhece essa mudança e usa isso para controlar quanto líquido quer beber. Se ele estiver com sede, irá mamar por pouco tempo, se estiver com fome, irá mamar por um período maior. Por isso que bebês amamentados em livre demanda e exclusivamente até os 6 meses não precisam de nenhuma outra bebida, mesmo nos dias quentes!

Este princípio funciona também durante o período de transição para a comida da família se o bebê continuar mamando em livre demanda. Um copo de água pode ser oferecido nas refeições, como parte da oportunidade de exploração, mas não há preocupações maiores se ele não quiser beber nada.

Se for possível continuar a amamentação em livre demanda isso tem a vantagem de permitir ao bebê decidir quando e quanto ele vai mamar, e naturalmente ocorrerá a diminuição das mamadas, conforme a criança aumenta o seu consumo e interesse por outros alimentos.

Para as mamães que começarem a trabalhar e a livre demanda não é possível, você pode retirar o leite e armazenar para oferecer ao bebê, veja no post sobre Amamentação e trabalho.

Bebês alimentados com fórmula infantil tem uma abordagem um pouco diferente, já que a fórmula tem sempre a mesma consistência e sabor, independente da relação de fome ou sede do bebê. Deve-se então oferecer água em intervalos regulares, assim que o bebê começar a comer.


Texto retirado e adaptado de pediatriadescomplicada.com e nutricaoaracaju.blogspot.com.br a quem agradeço..
Introdução Alimentar Introdução Alimentar Reviewed by Thaynara Lourenço on sexta-feira, fevereiro 19, 2016 Rating: 5

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