Relato de Parto

Prepara que o texto é looooongo.

Na virada do ano comecei a me sentir mal, tontura, enjôo, mas como estava passando por um momento de grandes mudanças e muito frio no inverno rigoroso da Itália, achei que fosse só uma queda comum de pressão. Passei dia 31/12 e 01/01 assim mas ainda não tinha desconfiado nem lembrado da bendita menstruação atrasada.  Só me dei conta que estava atrasada dia 12/01/2015... vê se pode!? Corre no supermercado, compra um teste de gravidez (desses que são vendidos em farmácia aqui no Brasil), faz xixi no palitinho e... nem precisei esperar os 5 minutos, já foi logo acendendo as duas marquinhas fortes e brilhantes, confirmando o positivo. Maísa começou a cantar na minha cabeça "Meu mundo caiu". 

GEZUIS, que porrada!!! Eu usava anticoncepcional de uso contínuo (mas mesmo assim menstruava), tinha tabelinha no aplicativo do celular que informava a data da ovulação e período fértil, evitava ao máximo e ainda assim, a danadinha veio!? Só comigo mesmo, e pela segunda vez... [chora, chora, chora] Desci para mostrar o bendito resultado pro marido, chorando. Ele cai na gargalhada, nervoso mas feliz. Eu tava só nervosa mesmo.
Daí pra frente, eu passava meus dias no banheiro vomitando. Fazer comida era um martírio. À noite, eu não dormia pois, se deitasse, a azia me matava queimada pior que bruxa na inquisição. [chora, chora, vomita, chora] Fiz uma ultrassonografia, particular, no dia 19/01, estava grávida de 11 semanas e o coração daquele feijaõzinho já batia forte. O médico disse que engravidei exatamente no dia da ovulação, mais cronometrado impossível, e algo me dizia que seria uma mocinha, ele não sabia confirmar ainda. 

Poucos dias depois do exame, comecei a sentir muitas dores no baixo ventre, bem na altura da cicatriz da cesárea, mal conseguia mexer as pernas, parecia que o músculo ia se romper se mexesse, doía demais, espirrar era quase um parto! Fui procurar o médico público (não tinha condições de pagar 200 Euros por consulta particular pois não havia encontrado emprego ainda e o marido ainda estava ilegal lá na Itália, aguardando os documentos do consulado) não consegui atendimento justamente pela falta desses documentos que não chegavam. Passava meus dias de cama, vomitando, com dores muito fortes, sem atendimento médico. [chora, chora, chora] Até que fomos "obrigados" a voltar para o Brasil. A situação tinha que mudar, não dava para ficar sem atendimento médico e as coisas lá não iriam se resolver tão cedo. 

Em março nós chegamos no Brasil, já com a barriga de 15 semanas apontando. Cadastros devidamente feitos no SUS, pré natal iniciado, 15kg a menos que na primeira consulta lá na Itália e o diagnóstico de hiperemese gravídica explica tanto vômito. E olha que tiramos de letra as 13hs dentro do avião! Desidratada, desnutrida, emagrecendo muito e muito rápido, muita dor ainda na pelve, infeccção urinária mas a ultrassonografia (que tive que fazer particular por problemas de burocracia do SUS) mostra que está tudo perfeito lá dentro, confirmamos que era a Alice que estava crescendo forte e saudável. Eu estava entrando no mundo cor de rosa! 
O vômito parou quando completamos 6 meses de gravidez, passei a me alimentar melhor, o saldo de peso final ficou em -12kg do meu peso inicial, perdi muitos, ganhei poucos no finalzinho. Pressão e taxas sanguíneas excelentes, a gravidez passou a correr melhor, exceto pelas dores e infecção urinária que não passavam. Foram 6 ciclos de antibióticos ao todo e a bendita me acompanhou até a maternidade.

No dia 15/08 eu finalizava a 40ª semana e nem sinal de trabalho de parto. Fomos à maternidade paraver se estava tudo bem, já que eu não tinha a obstetra me acompanhando e a última ultrassonografia foi na 25ª semana. Após exame de toque (apenas)"Ih mãezinha, seu colo tá fechado, fica tranquila. ainda temos 2 semanas pra esperar", foram as palavras do obstetra lá na maternidade, dada a minha insistência em saber se estava mesmo tudo bem (visto que meu histórico da primeira gravidez se repetia com a ausência de trabalho de parto), ele falou que se fosse me tranquilizar eu poderia fazer uma ultrassonografia durante a semana para me certificar. Foi o que eu fiz, na segunda-feira agendei, na terça- feira fiz o exame e para nosso susto, foi detectada Oligodraminia, ou seja, eu não tinha líquido amniótico mais, mesmo sem ter tido nenhuma perda de líquido. Uma amiga pediatra me ligou para saber como tinha sido o exame, a esta altura já estavam todos preocupados com a falta de um sinal da Alice. Contei pra ela do diagnóstico e ela imediatamente fez contato com o diretor do hospital em que havia feito a residência para saber se poderia ser atendida lá, Na quarta-feira, dia 19/08, lá fomos nós para a maternidade. Os batimentos cardíacos dela estavam caindo muito rápido. Eu, o obstetra e a pediatra decidimos então por fazer a cesárea para evitar o sofrimento fetal pela falta de líquido e já que eu não iria conseguir fazer força em um parto normal devido às dores intensas na pelve que a esse ponto já me limitavam o movimento das pernas. 

Às 11:59hs do dia 19/08 Alice nasceu, medindo 48cm e pesando 2,890kg, linda, com olhos muito curiosos e muito calminha. Ela foi trazida para mim logo após o nascimento e mamou muito, de primeira. Meu leite logo veio e com tanta força que precisei de ajuda do banco de leite para não explodir. Alice teve que fazer exames 3 exames de sangue na maternidade, dois para verificar se havia infecção pela falta do líquido amniótico e outro para medir a Bilirrubina. Não tinha infecçãomas tinha Icterícia, ficamos uma noite a mais no hospital aguardando esse último resultado mas não foi necessário o banho de luz. Ela quase não teve cólicas, teve um refluxo leve mas já passou, dorme a noite toda desde que nasceu, mama muito bem e exclusivamente leite materno e assim pretendemos ir até muito tempo. Meus pontos inflamaram, só consegui terminar de tirar 2 meses depois (alguns foram retirados com 15 dias, outros com 24 dias e os últimos 2 com 2 meses, com anestesia local pois os nós enterraram na pele e não quiseram subir, delícia!). As dores na pelve ainda me incomodam, porém em muito menor intensidade. Descobrimos um mioma no útero durante a cesárea e estou aguardando a boa vontade do SUS agendar a minha ultrassonografia para discutir o tratamento. Não consegui fazer a laqueadura de trompas que queria, o obstetra falou que a Alice podia"não vingar e eu querer outro filho depois". Já a infecção urinária me abandonou ainda na maternidade.

Na próxima quinta-feira a Pipoquinha completará 3 meses e já está medindo 60 cm e pesando 6 kg, jurando que é gente grande.


Relato de Parto Relato de Parto Reviewed by Thaynara Lourenço on terça-feira, novembro 17, 2015 Rating: 5

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